Sim. No Brasil, a Resolução CFP nº 01/1999 proíbe psicólogos de tratar a homossexualidade como doença e de participar de qualquer proposta de “cura”. Homossexualidade não é doença: a Organização Mundial da Saúde a retirou da classificação de doenças em 1990. Se você, homem gay e negro, passou por isso na igreja, na família ou num consultório, as marcas são reais e podem ser cuidadas, sem que ninguém tente mudar quem você é.

Em resumo: Sim. No Brasil, a Resolução CFP nº 01/1999 proíbe psicólogos de tratar a homossexualidade como doença e de participar de qualquer proposta de “cura”. Homossexualidade não é doença: a Organização Mundial da Saúde a retirou da classificação de doenças em 1990. Se você, homem gay e negro, passou por isso na igreja, na família ou num consultório, as marcas são reais e podem ser cuidadas, sem que ninguém tente mudar quem você é.
Por William Camilo, psicólogo e sexólogo (CRP 03/22676) · Publicado em 14/10/2026
A Resolução nº 01/1999 do Conselho Federal de Psicologia estabelece que psicólogos não podem favorecer a patologização de comportamentos ou práticas homoeróticas, não podem colaborar com eventos ou serviços que proponham tratamento e cura das homossexualidades, e não podem se pronunciar publicamente de forma a reforçar o preconceito (Conselho Federal de Psicologia, 1999).
Ela acompanha o consenso científico. O Conselho Federal de Medicina deixou de classificar a homossexualidade como desvio em 1985, e a Organização Mundial da Saúde a retirou da lista de doenças em 17 de maio de 1990, data hoje lembrada como Dia Internacional contra a Homofobia. Em 2017, uma decisão liminar da Justiça Federal tentou abrir brecha para a chamada “reorientação sexual”; em 2019, o Supremo Tribunal Federal suspendeu esse processo, e a resolução segue valendo.
Não se cura o que não é doença. Além disso, uma revisão da Associação Americana de Psicologia concluiu que as tentativas de mudar a orientação sexual têm pouca chance de funcionar e envolvem risco de dano, como depressão, ansiedade, culpa e pensamentos suicidas (American Psychological Association, 2009). O que essas práticas costumam produzir não é mudança de desejo: é vergonha, esconderijo e distância de si.
Quase nunca com esse nome. Ela aparece como “acompanhamento para libertação”, retiros, aconselhamento que promete “restaurar a identidade”, cursos de coaching ou como pressão da família para “tratar” o filho. Também existe a versão sutil, dentro do consultório: o profissional que trata a sua sexualidade como a causa de todos os problemas ou sugere “dar uma chance” a relações heterossexuais.
Para muitos homens gays e negros, há um custo extra. Em muitas famílias negras, a igreja é também rede de proteção, emprego, comunidade e lugar de dignidade num país racista. Romper com ela pode significar perder tudo isso de uma vez, e por isso tanta gente fica, se esconde ou volta.
Quem passou por tentativas de conversão, formais ou não, costuma relatar:
Anderson, 26 anos, gay e negro, passou a adolescência em “aconselhamentos” na igreja da família. Hoje mora sozinho e namora, mas chora depois do sexo e não consegue entrar num templo sem taquicardia. Na terapia, o objetivo nunca foi decidir por ele se deveria manter a fé. Foi separar o que era dele do que foi colocado nele, e reduzir a culpa a ponto de ele poder escolher.
Cena composta e fictícia, criada para ilustrar um padrão comum. Não descreve nenhum paciente real.
Este texto é educativo e não substitui avaliação nem psicoterapia. Em crise, o CVV atende pelo 188, 24 horas, gratuitamente.
Não. A Resolução CFP nº 01/1999 proíbe psicólogos de tratar a homossexualidade como doença e de participar de qualquer proposta de cura. O psicólogo pode, e deve, cuidar do sofrimento ligado ao preconceito, à culpa e aos conflitos com família ou fé, sem tentar mudar a orientação sexual.
Não. Em 2017, uma decisão liminar da Justiça Federal tentou permitir a chamada reorientação sexual, mas em 2019 o Supremo Tribunal Federal suspendeu esse processo. A Resolução CFP nº 01/1999 continua em vigor.
As marcas, como culpa, medo, vergonha e dificuldade de intimidade, podem ser trabalhadas em psicoterapia. O processo varia de pessoa para pessoa, e ninguém deve prometer prazo. O ponto de partida é um lugar onde a sua orientação sexual não está em julgamento.
Sim. Muitas pessoas LGBTQIAPN+ vivem a sua fé, em comunidades inclusivas ou de forma pessoal. Na terapia, a decisão sobre manter, mudar ou deixar uma religião é sua; o trabalho é reduzir a culpa para que essa escolha seja livre.
Procure o Conselho Regional de Psicologia do estado em que o profissional é registrado. O número do CRP pode ser conferido no Cadastro Nacional de Psicólogos, no site do Conselho Federal de Psicologia. Guarde mensagens, anúncios e qualquer registro do que foi oferecido.
American Psychological Association. (2009). Report of the American Psychological Association Task Force on Appropriate Therapeutic Responses to Sexual Orientation. American Psychological Association.
Conselho Federal de Psicologia. (1999). Resolução CFP nº 001, de 22 de março de 1999. Estabelece normas de atuação para os psicólogos em relação à questão da orientação sexual.
Meyer, I. H. (2003). Prejudice, social stress, and mental health in lesbian, gay, and bisexual populations: Conceptual issues and research evidence. Psychological Bulletin, 129(5), 674–697.

Atendimento online para homens gays e negros, no Brasil e no exterior. O primeiro passo é só uma mensagem.
Agendar uma conversa